terça-feira, 12 de abril de 2011

Histórico de Guilherme Winter - o fundador de Bom Princípio

Trecho do livro: "Memórias de Imigrantes alemães e seus descendentes", do jornalista e escritor, Felipe Kuhn Braun

Os Winter são originários de Klüserath am Mosel, uma cidade banhada pelo rio Mosel, no Hunsrück, região das origens da maioria dos atuais moradores de Bom Princípio. Registros apontam que o avô paterno de Guilherme, Johann, tenha emigrado de uma cidade próxima e fixado residência no lugarejo onde casou e teve três filhos, um dos quais Philipp, foi o pai de Guilherme. Philipp nasceu em 1770 e casou com Hermina Welter, filha de Jacob Welter e Anna Maria Breidbach.


O casal Winter teve seis filhos e, no ano de 1829, decidiu emigrar para o Brasil. O pai de Guilherme faleceu durante a travessia entre o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul e não durante a travessia do Atlântico, como muitos pesquisadores apontam. A viúva Hermina se estabeleceu com os filhos na Linha Nova, município do Vale do Caí. Lá, Guilherme casou com Elisabeth Müller e na década de 1840, logo após seu casamento, comprou 43 quilômetros quadrados de terras de proprietários portugueses.


Em 1846, Guilherme fundou sua colônia, que seria por décadas conhecida como Winterschneiss (em alemão, Picada dos Winter) afinal, além de fundadores, os Winter foram os primeiros proprietários de origem alemã, das terras que hoje abrangem o município de Bom Princípio. Ali Guilherme e Elisabeth tiveram oito filhos. Já nos primeiros anos, Winter vendeu parte de suas terras às famílias imigrantes que desejavam se estabelecer em Bom Princípio, porém, seguindo alguns critérios pré-estabelecidos: todas as novas famílias deviam ser católicas, deviam zelar pela formação dos filhos e deveriam imigrar senhores de profissões diferentes, tais como marceneiros, professores, comerciantes, ferreiros.


Winter morou primeiramente nas proximidades da igreja católica atual, no centro do município, mais tarde mudou-se para Santa Lúcia e nos últimos anos de sua vida para Santa Therezinha, comunidades do interior de Bom Princípio. Suas terras demoraram mais de dez anos para serem demarcadas, motivo pelo qual Winter, já idoso, não podia zelar por toda sua propriedade. O fato de ter vendido muitas terras aos primeiros imigrantes depois dele, assim como a divisão das terras entre seus filhos e netos, diminuíram seu patrimônio, assim como invasões por parte de seus próprios vizinhos de origens portuguesas.


A professora bom principiense Maria Marli Flach nos conta um pouco da história dos Selbach, (os Selbach são erroneamente conhecidos como co-fundadores do município, mesmo que, por poucas pessoas e sem comprovação documental). Apesar de não terem sido fundadores, merecem uma descrição, pois, estavam entre os primeiros moradores do município, assim como os Junges, Schmitz, Ludwig e Steffen, entre outros. “Em 1847, o Sr. Philipp Jakob Selbach comprou uma propriedade ao lado da de Winter, assentando-se em 1853 no Passo Selbach, para onde ele também levou o seu antigo negócio do Campestre. Selbach, então deu-lhe um outro nome, mais chamativo: Bom Princípio. Os primeiros moradores provinham, como os Winter e os Selbach, da Portugieseschneis. ...Os lotes comprados extendiam-se a partir de um traçado de rua, perfazendo, normalmente, 24 hectares”.


Winter ficou viúvo e casou anos mais tarde com Appollonia Weber, com ela Winter não teve descendência. Porém, seus oito filhos do primeiro casamento lhe deixaram uma descendência numerosa; e atualmente, milhares de pessoas são descendentes do imigrante fundador de Bom Princípio. Suas duas filhas, Anna e Catharina, casaram respectivamente com Johann Hünning e Adam Schneider. Entre os pioneiros descendentes de Winter, destacaram-se também sua neta Thereza Clementina Schneider, uma das primeiras parteiras do município e Henrique Roehe, casado com sua neta Maria Schneider. Henrique foi o primeiro escrivão e médico homeopata do município. Também Jacob Aloísio Heck, que hoje é homenageado com uma rua em Bom Princípio. Heck que foi construtor de igrejas e hospitais por todo os Estado do Rio Grande do Sul, era casado com uma bisneta de Winter, Emília Catarina Roehe.

4 comentários:

  1. Ola Felipe, parabéns pelo belo trabalho. Sou descendente de Wilhelm Winter e estou descobrindo sua rica história através de pesquisa na internet. Gostaria de confirmar se essa foto acima, é de Wilhelm e qual a fonte dela? Um abraço, Decio

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  2. Prezado Decio, infelizmente não encontrei fotografias do Guilherme Winter em todos estes anos de pesquisas. Esta imagem é do seu filho, Pedro. Abraços.

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  3. Olá Felipe, bom dia, maravilhoso trabalho. Sou casado com Maria Alice Winter e tenho dois filhos: Patrcia Winter Souza e Rodrigo Winter Souza e gostaria de saber se você possui uma árvore genealógica desta família. Os parentes de minha esposa ainda moram no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Um forte abraço. Nelio Souza

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  4. Bom dia,sou casada comVilmar Remigius Winter,ele é para ser parentes do Fhilip até por isso meu filho de 10 anos tem o nome de Felippe para ele saber da historia da família...se vc poderia me mandar algumas coisas sobre a família pelo meu face serie muito grata....desde já agradeço ,obrigada pela atençao....

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